Capsulite Adesiva

Capsulite adesiva (ou “ombro congelado”) é uma doença que causa dor e limitação dos movimentos do ombro. Ela ocorre devido a uma inflamação na cápsula e nos ligamentos que envolvem o ombro, causando um “encurtamento” dessas estruturas e, consequentemente, a limitação da mobilidade normal da articulação. Na fase inicial, na qual o paciente começa a sentir dor no ombro sem uma causa aparente, essa patologia pode ser confundida com outras doenças do ombro e é de difícil diagnóstico. Normalmente, só é diagnosticada na segunda fase, que é quando o paciente começa a apresentar limitação nos movimentos e pode ser facilmente avaliado por meio do exame físico.

Ainda não se sabe, ao certo, a verdadeira causa da capsulite adesiva. Pode surgir após um trauma, após um tempo prolongado de imobilização por outros motivos, após uma cirurgia prévia (relacionada ou não ao ombro) ou, até mesmo, sem nenhum fator desencadeante. É mais comum acometer pacientes diabéticos (2-4 vezes mais risco nessa população), portadores de epilepsia e hipotireoidismo, mas pode surgir em pessoas sem nenhuma doença prévia também.

O diagnóstico é feito, basicamente, pela história do paciente e pelo exame físico. Os pacientes normalmente relatam dificuldade para exercer algumas atividades básicas do dia a dia, como vestir uma roupa, fazer a higiene pessoal, abotoar um soutien e pentear ou lavar o cabelo. Não há necessidade de exames complementares, porém, exames de imagem podem ser solicitados para descartar outras patologias associadas ou que podem ser confundidas com a capsulite adesiva. Artrose é uma doença que também causa dor e limitação dos movimentos, mas é facilmente confirmada com exame de radiografias simples. Os exames de imagem normalmente não mostram muitas alterações na capsulite adesiva. Apenas a ressonância magnética, principalmente quando realizada com contraste, pode mostrar algumas alterações que sugerem um quadro clínico dessa doença.

É muito comum atender pacientes acometidos por essa patologia com história de já terem passado por vários outros médicos e realizado vários tratamentos sem um diagnóstico ainda preciso. É comum, também, ver pacientes com indicação cirúrgica por outras causas, sendo quem a verdadeira causa da dor é um quadro de capsulite adesiva. Portanto, é muito importante uma avaliação cuidadosa do paciente para que essa patologia não passe despercebida, principalmente quando está na sua fase inicial.

O tratamento da capsulite adesiva requer persistência e paciência, pois é de recuperação lenta, podendo levar meses até 2 anos ou um pouco mais. A chave do sucesso do tratamento dessa patologia é o paciente confiar no seu médico e no diagnóstico dado. Na fase inicial, em que o paciente pode sentir muita dor, o tratamento consiste em medidas analgésicas, com compressas de gelo e medicações analgésicas diversas, podendo haver necessidade do uso de opióides. Fisioterapia analgésica também pode ser uma arma para o tratamento nessa fase. Quando o paciente começa a apresentar melhora da dor, entramos na fase do tratamento propriamente dito, que consiste basicamente em fisioterapia e exercícios que podem ser realizados em casa, por conta própria. A melhora da mobilidade costuma ser bem lenta e precisa ser acompanhada pelo médico para avaliar a evolução dos graus dos movimentos. Bloqueios anestésicos podem ser realizados também para promover uma maior analgesia e facilitar os exercícios do paciente durante a fisioterapia e em casa. Esses bloqueios são realizados semanalmente.

Alguns casos podem não apresentar uma boa resposta com o tratamento conservador. Embora seja muito raro, a cirurgia poderá ser indicada nessas situações. A cirurgia é realizada por via artroscópica e consiste em realizar uma liberação da cápsula e dos ligamentos que estão limitando os movimentos do ombro. A manipulação fechada da articulação sob anestesia também pode ser indicada, embora esteja em desuso por poder apresentar algumas complicações, principalmente fraturas durante o procedimento.