Artrose do Ombro (Glenoumeral)

Artrose, de uma maneira geral, significa um desgaste da articulação, com perda progressiva da cartilagem que recobre seu osso, o que leva a dor e a perda gradual dos movimentos. O ombro, assim como a grande maioria das articulações, pode sofrer com uma artrose, embora seja mais comum no quadril e no joelho, por serem articulações de carga. É importante diferenciar a artrose glenoumeral da artrose acrômio-clavicular. Apesar de as duas serem artroses no ombro, são condições bem distintas e com tratamentos também distintos. O ombro é composto por 3 articulações (glenoumeral, acrômio-clavicular e escápulo-torácica). A principal responsável pelos movimentos do ombro é a articulação glenoumeral. 

Existem várias causas para uma artrose (congênita, sequela de um distúrbio metabólico, sequela de trauma, infecção, necrose avascular, doença inflamatória como a artrite reumatoide e outras). Entretanto, a maioria dos casos é de causa desconhecida, que denominamos idiopática. 

Pacientes que sofrem de artrose glenoumeral normalmente queixam-se de dor e de perda gradual dos movimentos. A dor piora com os movimentos. Dependendo do estágio em que se encontra essa artrose, o paciente pode relatar crepitação quando faz alguns movimentos, o que pode ser facilmente constatado pelo exame físico.

O diagnóstico dessa afecção é realizado através de uma história clínica e exame físico bem feitos. Uma radiografia simples geralmente é suficiente para confirmar o diagnóstico. A tomografia computadorizada pode ser solicitada para melhor avaliação do desgaste ósseo, para um planejamento terapêutico mais adequado. A ressonância magnética, embora não seja necessária para confirmar o diagnóstico, pode ser muito importante para avaliar a qualidade do manguito rotador. Essa avaliação, em muitos casos, também é essencial para se definir o melhor tratamento, principalmente na escolha do tipo de prótese que será usada caso esse seja o tratamento escolhido.

O tratamento inicial da artrose é conservador, principalmente se ela encontra-se em um estágio inicial. Vários fatores devem ser analisados para definir a melhor abordagem terapêutica, como idade do paciente, grau da artrose, comorbidades associadas, nível de atividade que esse paciente exerce e pretensões futuras. O tratamento conservador consiste em medicações analgésicas e fisioterapia para ganho progressivo da amplitude de movimento e fortalecimento muscular. A artrose é uma doença irreversível e costuma progredir com o passar do tempo e, por isso, muitos pacientes podem não ter uma boa resposta ao tratamento conservador. Nesses casos, o tratamento cirúrgico pode ser a saída para uma melhora do quadro clínico do paciente.

A cirurgia pode ser, desde uma artroscopia para realizar uma “limpeza” da articulação (normalmente mais indicada para pacientes jovens), até a substituição da articulação por uma prótese (normalmente indicada para pacientes mais velhos). Existem vários tipos de prótese, que vão desde uma prótese que substitui apenas a cabeça umeral sem uma haste no interior do úmero (“resurfacing”), até uma prótese total, que substitui todos os componentes dessa articulação. Se a melhor opção for por uma prótese total, nesse caso existe a prótese anatômica ou convencional (substitui a articulação por uma prótese que simula a anatomia normal do ombro) e a prótese reversa (utilizada nos casos em que existe um comprometimento extenso do manguito rotador além da artrose).