Fraturas

A articulação do ombro é formada pelo conjunto de 3 ossos: escápula, clavícula e parte superior do úmero. Diferentes tipos de traumas podem acarretar fraturas em qualquer um desses 3 ossos, isolados ou em conjunto. 

Pacientes que sofrem fraturas do ombro queixam de dor local e incapacidade para os movimentos, dependendo da localização dessa fratura. Normalmente, radiografias simples são suficientes para o diagnóstico, mas em alguns casos uma tomografia computadorizada poderá ser solicitada para uma avaliação mais detalhada da fratura e a correta programação terapêutica. Ressonância magnética raramente é indicada para avaliar pacientes com fraturas.

As fraturas da escápula são mais raras, correspondendo a 3% a 5% das fraturas do ombro. A escápula pode sofrer fratura em diferentes partes, sendo cada uma delas de avaliação e tratamento diferentes. Normalmente, as fraturas do corpo da escápula são decorrentes de traumas de alta energia, como acidentes automobilísticos ou quedas de altura, e, em muitos casos, outras lesões podem estar associadas. O tratamento, na grande maioria dos casos, costuma ser conservador com imobilização com tipoia e medicações analgésicas. As fraturas da glenoide que envolvem a articulação podem necessitar de tratamento cirúrgico se houver um desvio importante. É necessária uma avaliação cuidadosa do tipo da fratura e da localização da mesma para que o tratamento adequado seja realizado.

As fraturas do 1/3 proximal (superior) do úmero correspondem a 4% de todas as fraturas do corpo, sendo a 7ª mais frequente. Normalmente acometem os mais idosos e mulheres pela maior prevalência de osteoporose nessa população. Dividimos o úmero proximal em quatro partes (cabeça do úmero, tuberosidade maior, tuberosidade menor e diáfise). Dependendo das partes envolvidas na fratura e do desvio apresentado pelas mesmas, definimos o correto tratamento. A maioria dessas fraturas costuma ser sem desvio ou com desvio mínimo e, nesses casos, o tratamento conservador é o mais indicado, imobilizando o membro acometido com tipoia por tempo suficiente para a consolidação da fratura e posterior fisioterapia para reabilitação. Quando há um desvio significativo da fratura a ponto de comprometer a função do ombro, normalmente o tratamento cirúrgico é o mais adequado, dependendo de outros fatores, como idade do paciente e comorbidades associadas. Existem várias técnicas de fixação e diferentes materiais que podem ser utilizados nessas fraturas. A escolha desse tratamento dependerá do tipo da fratura e da experiência e preferência do cirurgião. 

A clavícula é acometida em cerca de 40% dos casos de fraturas do ombro. Dividimos essas fraturas em 3 partes diferentes desse osso: as que acometem o 1/3 proximal (que faz articulação com o esterno), as da diáfise (meio da clavícula) e as do 1/3 distal (que faz articulação com o acrômio). As fraturas da diáfise são as mais comuns, seguidas pelo 1/3 distal e, mais raramente, as do 1/3 proximal. Normalmente, ocorrem por trauma direto ou quedas sobre o ombro. A clavícula protege estruturas importantes, como vasos e nervos que vão para o membro superior. Dependendo da intensidade do trauma, essas estruturas podem ser afetadas. Fraturas com pouco desvio normalmente são tratadas conservadoramente. Uma tipoia simples costuma ser suficiente para imobilizar  o membro até a consolidação da fratura. Fisioterapia é realizada em seguida para a restauração da função da articulação. Fraturas da diáfise da clavícula com desvio importante costumam ser tratadas com cirurgia. Placas e parafusos ou hastes intramedulares são os métodos mais utilizados nesses casos. As fraturas do 1/3 distal da clavícula também podem necessitar de cirurgia dependendo do grau do desvio e o método utilizado vai depender do tipo da fratura e da experiência e preferência do cirurgião.